Manifesto: Recuperar o PT para os Trabalhadores!

Manifesto

domingo, 9 de agosto de 2015

Por que não um congresso da esquerda do PT???

 
* Por Coletivo Marxista do PT
 
No ultimo dia 15 de julho o parlamento grego aprovou o plano de austeridade da Troika (União Européia, Banco Central Europeu e FMI) em substituição ao acordo anterior que foi rejeitado pela maioria do povo grego em referendo. Entretanto, o novo acordo que é considerado tão ruim quanto o anterior, além da oposição popular através de greves e manifestações contou também com a oposição de quase um terço dos deputados do Siryza, o partido do primeiro ministro Tsipras, que votaram contrários a proposta ou se abstiveram, incluindo ex-membros do governo. E no fim o governo só aprovou o memorando graças aos votos do seu aliado de direita o partido Gregos Independentes e também aos oposicionistas Nova Democracia de direita e PASOK de centro-esquerda.
 
Fazendo uma analogia um tanto imprecisa, seria como se no Brasil, Dilma tivesse oposição de parte da bancada do PT em algum projeto e dependesse dos votos do PMDB, PSDB e PSB para aprova-lo. E essa ação de parte da bancada não foi isolada dentro do partido, dias antes, 110 dos 201 membros da direção nacional do Syriza assinaram um documento contrários ao novo memorando, além da manifestações contrarias de diversos setores do partido, incluindo a Juventude que pede um congresso extraordinário da legenda para rediscutir os rumos do governo. Essa revolta interna, totalmente legitima diante das traições de Tsipras poderia servir de exemplo para alguns setores do PT, principalmente das correntes que compõe a chamada esquerda petista como Articulação de Esquerda, Militância Socialista e O Trabalho.
 
Em suas analises sobre o resultado do 5º Congresso do PT realizado entre 11 e 13 de junho em Salvador, as três correntes expuseram críticas. A Articulação de Esquerda destacou o profundo sentimento de frustração causado pela resolução final aprovada no congresso, que destoa totalmente dos anseios dos movimentos sociais e das bases do partido que esperavam uma guinada a esquerda do partido diante da guinada a direita do governo, porém o que se viu foi, mais uma vez, a submissão total da corrente majoritária aos ditames do planalto. Já a Militância Socialista destacou o processo de sabotagem feito pela corrente majoritária ao congresso, desde o esvaziamento das etapas municipais, estaduais e livres até as manobras no próprio congresso onde praticamente todas as questões que motivaram a convocação do congresso em primeiro lugar acabaram remetidas de volta ao diretório nacional. E ao fim e ao cabo, além dos problemas políticos da resolução final, internamente tudo ficou como estava ou piorou. Já a corrente O Trabalho, preferiu ser mais otimista, destacando os manifestos assinados por parte da bancada federal, e outro assinado pelos sindicalistas petistas da direção nacional da CUT pedindo por mudanças, além das votações apertadas em questões sobre a politica econômica e politica de alianças, como demonstração de que a crise politica e econômica começa a gerar fissuras dentro da direção do partido, como resultado da pressão das bases
Agora o que os dirigentes dessas correntes precisam explicar a seus militantes é por que não sair da intenção e partir para ação ? Por que não um Congresso da Esquerda do PT?
 
Diante da constatada deslegitimidade  da direção nacional do PT diante da sua base social a dissidência é não só uma opção como um dever dos setores politicamente mais avançados do partido. E longe de ser um enfraquecimento da unidade como podem bradar alguns, seria na verdade um chamado de unidade para a luta. Porém para poder organizar algo dessa envergadura é preciso independência. Independência politica dos cargos comissionados nos governos municipais, estaduais e do governo federal, e também de alguns aparelhos( sindicatos e etc...) e principalmente, independência da estrutura financeira do partido, já que um Congresso como esse só teria legitimidade de fosse financiado por militantes petistas e de movimentos sociais comprometidos politicamente com a sua realização.
 
Um Congresso da Esquerda Petista poderia se posicionar contra todos os ataques aos trabalhadores vindos do governo federal e/ou do congresso nacional, contra a aliança com o PMDB de Eduardo Cunha e demais partidos de direita, e propor a constituição de uma Frente de Esquerda capaz de retomar a ofensiva por ampliação de direitos para a classe trabalhadora. Do Congresso poderia ainda emergir um polo de oposição petista a guinada a direta do governo Dilma, uma verdadeira direção paralela do partido, orientando não só boa parte da militância petista como talvez, parte de sua bancada na câmara e no senado, como aconteceu com o Syriza na Grécia.

Assine o abaixo-assinado pelo rompimento da aliança do PT com o PMDB: http://migre.me/qaEhi
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segunda-feira, 29 de junho de 2015

A estratégia "petista" para entregar o governo federal ao PMDB!

*Por Coletivo Marxista do PT

           




        Segue o processo de polarização entre as classes sociais no Brasil. Os ataques aos direitos dos trabalhadores, vindos do congresso nacional ou do executivo, continuam a oxigenar e assanhar os setores mais reacionários da classe dominante, que acabam por arrastar os setores da classe média, confusa pela politica de colaboração de classes levada a cabo pela direção do PT e do governo federal.
                Em meio a esse processo, surge uma pesquisa eleitoral projetando o possível cenário das eleições de 2018, onde, segundo o Datafolha, instituto responsável pela pesquisa, o tucano Aécio Neves bateria o ex-presidente Lula por uma diferença de 10 pontos percentuais. A pesquisa antecipada não é coisa nova, assim como aconteceu em 2002, 2006 e 2010, a oposição de direita, e por extensão, a grande imprensa, não digeriu bem a derrota para o PT nas eleições 2014, o resultado dessa pesquisa, apesar de impactante, também não chega a ser de todo surpreendente, diante do atual cenário político e econômico.
                Lançada por Alexandre Padilha, em um evento de campanha do segundo turno das eleições presidenciais de 2014, a pré-candidatura de Lula a presidente, acabou sendo endossada na época pelo presidente do partido Ruy Falcão, com o mote de que “Lula 2018” dependia da vitória de “Dilma 2014” o que acabou ajudando a impulsionar a campanha da atual presidente. As seguidas aparições e declarações públicas de Lula em 2015, ajudaram a preparar o cenário para essa pesquisa que, a despeito de possíveis distorções, mostrou que ao contrário do que muitos petistas acreditavam, Lula não é imbatível nas urnas, inclusive como demonstram alguns exemplos históricos como o de Lech Wałęsa na Polônia. Entretanto, independente das projeções atuais não há duvida de que Lula, seria um candidato bastante competitivo nas próximas eleições, mas paradoxalmente esse pode ser justamente o maior problema para o futuro do PT.
                No atual momento, onde os movimentos sociais e todos aqueles que se reivindicam de esquerda, lutam contra o ajuste fiscal e os ataques aos direitos dos trabalhadores e da juventude, promovidos pelo governo e/ou o congresso nacional, e o petismo de esquerda luta contra a cada vez mais humilhante aliança com o PMDB de Eduardo Cunha e outros partidos de direita, trazer a tona o assunto das eleições presidenciais de 2018 pode parecer um exercício inútil de futurologia, mas a pré-candidatura de Lula  pode ter efeitos importantes sobre o atual momento político. Isso porque, ao lançar Lula como pré-candidato a presidência da republica, as correntes majoritárias do PT, praticamente inibem a possibilidade de surgir qualquer outro nome, ainda que no campo das especulações, que pudesse concorrer a sucessão de Dilma, pelo PT. Isso porque a liderança de Lula dentro do partido é hoje, inquestionável, e apesar dos pesares, justa. Aparentemente não existe qualquer dirigente ou liderança petista hoje com a determinação de concorrer a presidência e inclusive, enfrentar uma disputa interna com Lula, como fez Suplicy em 2002.
                A falta de alternativa a candidatura de Lula, afeta em ultima instância, a relação do PT com o governo. É bem verdade, que mais 90% dos dirigentes e lideranças petistas, de uma forma ou de outra, em algum momento, apoiaram e/ou apoiam a politica de colaboração de classes que levou a atual crise pela qual passa o partido, entretanto, na boca de algumas dessas lideranças como Paulo Paim, Tarso Genro, Vicentinho ou Lindberg Farias criticas ao governo e a direção nacional do PT soariam muito menos estranhas do que vindas de Lula.  Como temos acompanhados pelos noticiários, em suas declarações e aparições públicas, ou em declarações atribuídas a ele pela imprensa, o ex-presidente tem feito críticas ao governo e a direção nacional do PT, porém essas criticas, além de dúbias, soam no mínimo esquizofrênicas já que é publico e notório que Lula é o fiador politico não só da eleição e reeleição de Dilma, como da politica de colaboração de classes do PT, por ele pavimentada desde a aliança com o empresário José Alencar em 2002.
                Em outras palavras, se Lula, tão identificado com o atual governo precisa tentar se diferenciar a esquerda para manter-se como um jogador forte no tabuleiro de xadrez das próximas eleições presidenciais, outro pré-candidato petista teria que fazer esse mesmo movimento só que de forma muito mais acentuada, o que poderia abrir um caminho alternativo para o PT ao caminho da total submissão ao governo Dilma e aos partidos “aliados”, que é o rumo em que o partido se encontra hoje, e que foi reforçado no seu ultimo congresso.
O contrário desse cenário alternativo, que é a manutenção do rumo atual, pode levar a um caminho ainda mais nebuloso. A cada mês que passa fica cada vez mais provado que a cada grito dos industriais, do agronegócio, dos bancos ou do imperialismo, o governo recua de quaisquer características “populares” e engendra novos ataques aos trabalhadores. E a cada grito dos “aliados” como o PMDB, da grande imprensa e do judiciário, a casta dirigente do PT se intimida mais e mais. A persistir ou se agravar o cenário econômico, e a persistir ou se agravar o cenário politico ( principalmente diante dos resultados das eleições municipais de 2016) pode ser que cheguemos a 2018 com uma situação onde, seja por motivos de saúde, seja para não repetir o caminho de Walesa na Polônia, que de líder popular e presidente do pais, terminou derrotado em sua tentativa de retomar a presidência, com menos 1% dos votos, Lula decida não se candidatar novamente, e a depender do momento em que essa desistência ocorra, sem tempo hábil para se construir outra candidatura, as correntes majoritárias do partido se sintam “sem escolha” a não ser fazer aprovar um apoio do partido a um candidato Peemedebista ao Palácio do `Planalto, talvez Eduardo Cunha ?

Mas que dirigente ou liderança teria a coragem de lançar uma pré-candidatura petista a presidência, independente das vontades do Palácio do Planalto ? É claro que seria uma pré-candidatura combatida e acusada de divisionismo dentro do partido, é claro que a imprensa iria explorar isso ao máximo. Mas a história do movimentos do trabalhadores já demonstrou que as vezes, não há grito mais contundente e consciente de unidade, do que uma boa dissidência. A fundação do Partido dos Trabalhadores, foi um exemplo disso. 

Assine o abaixo-assinado pelo rompimento da aliança do PT com o PMDB: http://migre.me/qaEhi

terça-feira, 16 de junho de 2015

Casta burocrática petista mantém aliança com a direita. Assine o abaixo-assinado pelo rompimento com PMDB!

   


       Eleitos em 2013, a maioria dos delegados da ultima etapa do 5º congresso do PT em 2015 simplesmente ignoraram tudo que aconteceu em pouco mais de um ano. Se as jornadas de junho lá em 2013 já mostravam o descolamento do PT com suas bases históricas, a quase-derrota nas eleições de 2014, o aumento da audiência dos golpistas e a guinada do governo Dilma a direita só pioraram a situação.
      Só que mais uma vez a casta dirigente petista foi incapaz de dar a resposta que as bases do partido esperavam, Ao manter a politica de colaboração de classes com a direita, traduzida pela aliança com o PMDB e demais partidos capitalistas, eles mantêm o rumo que não só está levando a destruição do partido como está levando o Brasil no caminho da recessão, do desemprego e dos cortes de direitos.
      Os dirigentes do PT hoje são como cegos guiando uma multidão direto para o precipício, e estão cegos por vários motivos, mas o maior motivo é o pavor que tem da militância de base petista. Isso mesmo, a casta dirigente quer os militantes passivos e comportados votando no infame Processo de Eleições Diretas(PED) mas morre de medo de ver essa militância consciente, organizada e em luta, pois sabem que se assim o fosse, certamente acabariam varridos de seus cargos.
      Mas a luta para Reconquistar o PT para os Trabalhadores continua, assine o abaixo-assinado pela rompimento da aliança do PT com o PMDB e demais partidos capitalistas aqui: http://migre.me/qaEhi . É hora de organizar a resistência da base petista !

sábado, 6 de junho de 2015

O que deveria acontecer no 5º Congresso Nacional do PT


*Por Coletivo Marxista do PT

 De 11 a 13 de junho de 2015 em Salvador na Bahia, acontece a ultima etapa do 5º congresso nacional do Partido dos Trabalhadores. Sem dúvida o congresso se insere em um momento histórico negativo para o partido, com o governo federal petista com os seus menores índices de popularidade em pouco mais de 12 anos e o próprio partido enfrentando o maior desgaste e crise de identidade nos seus pouco mais de 35 anos de história. Nesse cenário nebuloso o que deveria acontecer nesse congresso ? Façamos um pequeno exercício de imaginação e reflexão.


 Petezando ( ou, sonhando) 


Bem, inicia-se o congresso, e após a mesa de abertura com alguns convidados ilustres ( Será que farão de Michel Temer, filiado honorário do partido como fizeram com José Alencar ? Eu não duvido.),  e uma ou outra mesa de debate, começa a defesa das teses pelos dirigentes das correntes partidárias. E em diferentes discursos, das correntes que compõe o campo majoritário ( Construindo um Novo Brasil, PT de Lutas e Massas, Novo Rumo, Esquerda Popular Socialista, Brasil Socialista, Movimento PT, Socialismo XXI, Tribo, Unidade na Luta, Posadistas e outras) passando pelo centro petista(Mensagem ao Partido/Democracia Socialista) até a esquerda partidária( Articulação de Esquerda, Militância Socialista e O Trabalho) de uma forma ou de outra a conclusão de todos é a mesma: A culpa do momento de crise, é da militância petista.

  Sim, segundo estes, foi a militância do PT a culpada por ter “permitido” que a burocracia tomasse conta do partido, e fez isso porque ficou acomodada diante do “sucesso” do governo federal, distanciando-se dos movimentos sociais, preocupando-se apenas com eleições e etc e tal. O Campo majoritário fará isso de forma mais descarada, o centro petista deve fazer uma mea-culpa e a esquerda ira virar a sua metralhadora para os militantes do campo majoritário. Em suma, de uma forma ou de outra, para todas as correntes do PT o problema, se é que há um problema, é no partido, mas e o governo? Nenhuma palavra contra o governo, esse deve ser defendido por todos com unhas e dentes.

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Dilma, se for ao evento, dirá que o ajuste fiscal visa beneficiar os mais pobres, e que os pessimistas, que torcem pro governo dar errado, vão queimar a língua quando o capitalismo resolver a sua crise, afinal, quanto mais capitalismo, mais felicidade. Já Lula, cumprirá o papel de sempre, vai inflamar o publico presente contra os inimigos comuns: a oposição de direita, a imprensa, o judiciário e os golpistas, e tudo isso pra chegar a mesma conclusão dos ilustres dirigentes partidários: a de que deve-se defender incondicionalmente este governo, faça ele o que fizer, inclusive as suas alianças com os acachadores do congresso nacional, que trabalham dia e noite pelo fim da CLT, do ECA, do SUS e muito mais.

 A resolução final do congresso proposta por essas figuras supracitadas, deve conter um pacote de mudanças internas: regimentais e talvez até estatutárias, além da já comum carta de intenções. Provavelmente encabeçada pela famigerada proposta de reforma política e que deve conter as reivindicações históricas da classe trabalhadora brasileira como redução da jornada de trabalho, reforma agrária e etc, e que tentará cumprir essa função de reatar os laços com os movimentos sociais. Mas ao fim e ao cabo não passará mesmo de uma carta de intenções, uma vez que ela não valerá nada nem para o governo federal e nem para os governos estaduais e municipais petistas que em muitos casos, não só não cumprem, como vão exatamente na contramão daquilo que o PT, supostamente, defende.

 Eis que, de um amontoado de delegados anônimos, surge uma proposta de emenda surpreendente. Uma que propõe basicamente o seguinte: Que o PT rompa em nível nacional e em todas os estados e as cidades, a aliança com o PMDB e demais partidos capitalistas, o que obviamente inclui demitir os ministros filiados a esses partidos no governo federal. Aterrorizados ao ver que tal emenda ganhou número suficiente de assinaturas de delegados para ir a voto do plenário, os dirigentes, e talvez o próprio Lula, se apressam em tomar o microfone e defender a não aprovação da emenda, em diferentes discursos, defendem basicamente o mesmo: o medo. O medo do congresso não aprovar as medidas do governo federal, o medo do congresso aprovar um pedido de impeachment da presidenta Dilma, medo dos militares, medo disso, medo daquilo.


 Porém, em meio ao discurso do medo, subitamente surge uma esperança. A esperança de ver um governo do PT, que apoiado de forma entusiasmada pelos movimentos sociais, peite a direita em defesa dos trabalhadores: mandando todo o dinheiro do superávit fiscal primário (divida publica) para saúde, educação e transporte publico e que pare de mandar verba publicitária do governo federal para a grande mídia reacionária, e que esse dinheiro seja pulverizado nas mídias alternativas. Que mande para o congresso dos acachadores, uma proposta de redução da jornada de trabalho em 30 horas semanais sem redução de salário. Que mande um projeto de lei de regulamentação do tributo sobre as grandes fortunas e heranças, e o artigo da constituição que determina o uso social do solo, desapropriando prédios e terrenos vazios nas cidades para a reforma urbana, e o latifúndio improdutivo no campo, para a reforma agrária. Que mande uma MP ao congresso, determinando que todas as empresas que receberam benefícios fiscais do governo fiquem proibidas de demitirem seus empregados. Que todas as empresas que sonegam bilhões em impostos sejam estatizadas, a começar pela Rede Globo e que o mesmo aconteça com aquelas que não pagarem imediatamente as suas dividas junto ao BNDES e também as que a anos vem pilhando a Petrobrás e outras empresas públicas. Um governo que peite o imperialismo, proibindo a remessa de lucro para o exterior e retirando as tropas brasileiras do Haiti.E independente do que os "300 picaretas" do congresso farão com essas medidas, o PT terá feito a sua parte e então poderá forjar uma aliança legitima com os movimentos sociais e demais partidos de esquerda.

 E para surpresa de todos a ESPERANÇA VENCE O MEDO, a tal emenda é aprovada pela maioria dos delegados, e o Diretório Nacional encaminha a decisão do congresso a presidenta Dilma e a todos os ministros filiados ao PT e eles ( Dilma e os ministros) se veem obrigados a cumprir a decisão ou a deixar o partido.


 Conclusão 


 É claro que não é isso o que acontecerá ( pelo menos, não integralmente) no congresso do PT. Entretanto é importante que se diga: É verdade que existe uma oposição de direita e que ela torce pra tudo dar errado, mas ela só se fortalece pelo fato de que, mesmo derrotada nas urnas, boa parte do seu programa é aplicado pelo governo petista. Também é verdade que o partido está tomado pela burocratização e pelo vale-tudo eleitoral, mas isso nada mais é do que a extensão da politica de colaboração com a direita, promovida pela direção nacional e o governo federal. Ou seja, a análise pode até estar razoavelmente correta, mas não serve de nada se as razões identificadas que levam a essa realidade e os passos necessários para transforma-la, estejam errados, mas quem poderá dar a conclusão correta ?

 Certamente não serão os dirigentes, afinal, para fazer isso, teriam que concluir que tudo que vinham defendendo até agora estava equivocado, também não se pode esperar uma mudança pelas mãos de uma ou outra, corrente de esquerda. Só os militantes de base “de baixo”, independente do grupo que façam parte, se organizando contra a casta burocrática “de cima” poderão transformar esse momento histórico negativo, em um momento histórico positivo para os partido e para o povo trabalhador brasileiro. Sim, nós PODEMOS!

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 Manifesto: Recuperar o PT para os Trabalhadores http://migre.me/qaEau

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Abaixo-assinado pelo rompimento nacional da aliança do PT com o PMDB. http://migre.me/qaEhi

quarta-feira, 20 de maio de 2015

MANIFESTO: Recuperar o PT para os Trabalhadores

Um Partido dos Trabalhadores para os Trabalhadores


No fim dos anos 70, em meio a ditadura militar brasileira, militantes dos movimentos sociais, do movimento sindical, estudantil e popular, junto com organizações politicas clandestinas já existentes organizaram o Movimento Pró-PT. A fundação do Partido dos Trabalhadores, em fevereiro de 80, desperta para a luta milhões e milhões de trabalhadores em todos os cantos do País.

 Mais do que cumprir um papel importante na queda da Ditadura, a fundação do PT representou um salto organizativo sem precedentes para a classe trabalhadora brasileira. Foi a fundação de um partido de esquerda operários e de massas : o PT, em 80, que criou as condições politicas para que fosse possível a fundação da Central Única dos Trabalhadores(CUT) em 83, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST) em 84 e mais tarde, da Central de Movimentos Populares(CMP) em 93. Essas organizações, juntamente com União Nacional dos Estudantes (UNE) se transformaram nas principais ferramenta de luta de massas dos trabalhadores no Brasil.

 Em sua carta de princípios e no seu manifesto de fundação, o PT nasce criticando tanto os velhos partidos social-democratas e trabalhistas europeus, quanto os velhos PC´s Stalinistas pois estes simplesmente deixaram de acreditar na capacidade dos trabalhadores de fazer a revolução e assim erradicar o atraso capitalista, para apostar em alianças com a burguesia ou frações da burguesia. O nascimento do PT marca a reorganização da classe trabalhadora no Brasil sob um eixo de independência de classe, recolocando a perspectiva da luta radical dos trabalhadores por seus direitos, contra a burguesia e seus governos, como única forma de construção do socialismo. Ainda que não se proclame e nem se organize como partido revolucionário e comunista, ao se colocar no campo da independência de classe e da luta pelo socialismo, o PT nasce como herdeiro legitimo da luta revolucionária do proletário mundial, iniciada com Marx e Engels no século 19.

  A Politica de colaboração de Classes


Por outro lado, a casta dirigente das maiores correntes do PT, assim como os velhos stalinistas e social-democratas também não confiam na capacidade revolucionária dos trabalhadores. Ainda sim, empurrados pelas massas que o PT sempre arrastou, essas figuras foram protagonistas de grandes lutas politicas nos anos 80 e 90. Entretanto, as vitórias eleitorais ao longo dos anos, permitiram que pouco a pouco esses dirigentes fossem implantando no partido a politica de colaboração de classes, traduzida pelas alianças eleitorais com partidos de direita e a aplicação, nos governos petistas, de programas reformistas que, apesar do discurso de esquerda são, na verdade, pró-burguesia.
O ápice disso foi a escolha do mega empresário José Alencar como vice-presidente na eleição que tornou Lula presidente em 2002.

 Nos seus dois primeiros governos ( Lula 2003-2010) o PT abdicou de fazer o enfrentamento aos interesses da burguesia e do imperialismo e assim provocar um verdadeiro terremoto revolucionário no Brasil e em toda a América Latina, pela Pax social de um governo de colaboração de classes onde a burguesia continua a ganhar milhões e milhões, mas agora a classe trabalhadora também melhora sua condição de vida seja através de alguns programas sociais ou através do aumento real de salário e de empregos. Assim o governo petista manteve a luta dos trabalhadores contida mesmo sem atender as reivindicações históricas que levaram o PT ao governo como a redução da jornada de trabalho e a reforma agrária entre outros.

 Entretanto, essa situação só foi possível graças a um breve período de expansão do capitalismo, mas essa conjuntura termina com a explosão da crise mundial em 2008. O terceiro governo do PT( Dilma 2011-2014) é marcado, por uma tentativa fracassada de se manter a mesma política do período anterior, entretanto, a crise bate forte, congelando salários e a geração de empregos e elevando os preços num primeiro momento e em seguida, já no quarto mandado petista( Dilma 2015 - ....) começa um processo de demissões em larga escala, rombo nas contas públicas em função da politica de isenção fiscal para a burguesia, cortes no orçamento da União e finalmente o ataque aos direitos históricos conquistados pelos trabalhadores fruto de décadas de lutas

  A destruição do PT e a reorganização da direita. 


      A essa altura o PT já está completamente contaminado pela politica burguesa. Em todas as suas instâncias e na maioria de seus mandatos parlamentares e executivos o que impera no partido é o vale-tudo eleitoral onde vale-se tudo por cargos e poder. E assim a maior ferramenta de luta já construída pelos trabalhadores no Brasil foi dominada por uma casta burocrática que a tornou algo oco, vazio , sem a sua essência original. Onde os ideais que motivaram a fundação do partido até aparecem ainda em alguns discursos, mas na prática, são diariamente pisoteados, pela prepotência e arrogância daqueles que trocaram seus ideais por dinheiro e votos.

      Alguns militantes sinceros ainda tentam constituir núcleos de base do PT, entretanto, sem qualquer possibilidade de discutir e deliberar sobre os rumos do partido, esses núcleos acabam "sequestrados" por mandatos parlamentares que ao invés de servir a luta dos movimentos, como estava preconizado na carta de princípios do partido, os tais mandatos apenas se servem dos movimentos exatamente como os mandatos dos partidos de direita. Outros se engajam na construção dos coletivos das setoriais e secretárias, dialogam com os movimentos sociais, constroem pautas em conjunto e lutam por elas, apenas para ver o PT, quando chega ao executivo municipal ou estadual fazer o que faz no governo federal: fatiar o governo entre os partidos coligados e ver as secretárias( no caso dos Município e do Estado) ou os ministérios, além de muitas vezes comandados por inimigos históricos do PT e da esquerda, ainda aplicando politicas completamente contrárias aquelas defendidas nos setoriais e secretaria. Um exemplo clássico são os setoriais de Saúde do PT que em todos os níveis defendem o fim da privatização do SUS através das Organizações Sociais, mas em todos os governos do PT esse processo de privatização só avança.

      Esse é o cenário da lenta e dolorosa destruição do PT, não só de dentro para fora, mas também de fora para dentro graças aos ataques da burguesia mais reacionária que através da mídia, do judiciário e outras formas, ataca o PT com todos os tipos de mentiras, como no caso da fraudulenta Ação Penal 470. E a militância petista se sente impotente para ir as ruas e reagir, não porque não quer, mas porque fica paralisada diante da direção do partido, que apoia cegamente um governo que está sendo usado pela burguesia para atacar os trabalhadores, cortando direitos, se jogando na lama da corrupção tradicional do fisiologismo politico brasileiro, reprimindo manifestações e etc. Para qualquer lutador social hoje, é muito difícil defender o PT em qualquer aspecto, e é justamente com isso que conta a extrema-direita brasileira que, graças a essa politica da direção do PT, tem conseguido se rearticular para voltar a ter o controle total do estado, seja pelo voto, ou não.

  É hora de reagir: Reconquistar o PT para os Trabalhadores


           Entretanto, quanto maiores são os ataques da burguesia, dialeticamente cresce também a resistência da classe trabalhadora. As Jornadas de Junho e Julho de 2013, despertaram milhares de jovens para as luta contra a exploração e opressão capitalista, e no processo, animaram também centenas de trabalhadores que tem empurrado suas categorias para greves de massa , muitas vezes contra a vontade de suas direções sindicais pelegas. A chama que incendiou o pais nos anos 70 e gerou a fundação do PT voltou a queimar e está na hora dela incendiar o PT internamente. Não podemos permitir que no momento que a classe trabalhadora mais precisa de sua ferramenta histórica, ela seja utilizada como arma dos inimigos contra nós. Diremos aos burocratas que eles não são donos do PT, os donos do PT somos nós, os seus militantes e a classe trabalhadora brasileira, e nós vamos reconquistar o PT. E faremos isso através de uma luta sem precedentes contra a politica de colaboração de classes , é pra esse fim que nasce o Movimento por um “Coletivo Marxista do PT”. Eles dirão, como já vem dizendo a tempos que não se pode governar sem fazer alianças, mas nós diremos que não aceitamos mais o vale-tudo eleitoral, esteja no governo ou na oposição, queremos um PT que seja aquilo que nasceu pra ser: Uma ferramenta para lutar contra a opressão e a exploração capitalistas, pela construção de um governo socialista dos trabalhadores.

    O Coletivo Marxista do PT nasce para se engajar em três tarefas fundamentais e faz um chamado a todos os petistas sinceros, independente do grupo que façam parte dentro do partido para se juntarem a nós nessa tarefa.

 • Articular toda a base militante do PT, independente das correntes ou tendência que participam, contra a politica de colaboração de classes, exigindo que o governo Dilma demita os ministros capitalistas e rompa a aliança com todos os partidos de direita como o PMDB entre outros. E que todas as candidaturas do PT em 2016, executivos ou parlamentares, não só rechacem as alianças com esses partidos como também não aceitem nem um centavo de doações empresariais. E que o partido se dirija a seus filiados, militantes e aos movimentos sociais para arrecadar todo o dinheiro de que precisa para suas campanhas.

 • É preciso a mais ampla mobilização contra os ataques aos direitos dos trabalhadores como as MP´s 664 e 665 o PL da terceirização, a redução da maioridade penal entre outros e também para lutar contra o continuo processo de criminalização dos movimentos sociais. Um passo inicial para isso é a luta pela aprovação do Projeto de Lei 7951/14 que concede anistia a todos ativistas sociais processados ou condenados, desde a promulgação da atual constituição em 1988.

• É preciso toda força na construção da Frente da Esquerda Unida, uma frente capaz de reunir partidos e organizações de esquerda, movimentos, coletivos, agrupamentos e independentes e que seja capaz de mobilizar milhões de jovens e trabalhadores contra o capitalismo. Uma Frente que se puder unir o melhor das novas formas de luta que surgem nas ruas, com a experiência histórica de organização dos trabalhadores, através das lições que nos deixaram grandes revolucionários como Lenin, Trotsky e outros em todos os continentes e países, certamente poderá se tornar o movimento que irá liderar os trabalhadores na sua vitória final pela tomada do poder e pela construção do socialismo.



Viva o PT! 

Viva a Luta dos Trabalhadores!

 Pelo Socialismo!