Manifesto: Recuperar o PT para os Trabalhadores!

Manifesto

segunda-feira, 29 de junho de 2015

A estratégia "petista" para entregar o governo federal ao PMDB!

*Por Coletivo Marxista do PT

           




        Segue o processo de polarização entre as classes sociais no Brasil. Os ataques aos direitos dos trabalhadores, vindos do congresso nacional ou do executivo, continuam a oxigenar e assanhar os setores mais reacionários da classe dominante, que acabam por arrastar os setores da classe média, confusa pela politica de colaboração de classes levada a cabo pela direção do PT e do governo federal.
                Em meio a esse processo, surge uma pesquisa eleitoral projetando o possível cenário das eleições de 2018, onde, segundo o Datafolha, instituto responsável pela pesquisa, o tucano Aécio Neves bateria o ex-presidente Lula por uma diferença de 10 pontos percentuais. A pesquisa antecipada não é coisa nova, assim como aconteceu em 2002, 2006 e 2010, a oposição de direita, e por extensão, a grande imprensa, não digeriu bem a derrota para o PT nas eleições 2014, o resultado dessa pesquisa, apesar de impactante, também não chega a ser de todo surpreendente, diante do atual cenário político e econômico.
                Lançada por Alexandre Padilha, em um evento de campanha do segundo turno das eleições presidenciais de 2014, a pré-candidatura de Lula a presidente, acabou sendo endossada na época pelo presidente do partido Ruy Falcão, com o mote de que “Lula 2018” dependia da vitória de “Dilma 2014” o que acabou ajudando a impulsionar a campanha da atual presidente. As seguidas aparições e declarações públicas de Lula em 2015, ajudaram a preparar o cenário para essa pesquisa que, a despeito de possíveis distorções, mostrou que ao contrário do que muitos petistas acreditavam, Lula não é imbatível nas urnas, inclusive como demonstram alguns exemplos históricos como o de Lech Wałęsa na Polônia. Entretanto, independente das projeções atuais não há duvida de que Lula, seria um candidato bastante competitivo nas próximas eleições, mas paradoxalmente esse pode ser justamente o maior problema para o futuro do PT.
                No atual momento, onde os movimentos sociais e todos aqueles que se reivindicam de esquerda, lutam contra o ajuste fiscal e os ataques aos direitos dos trabalhadores e da juventude, promovidos pelo governo e/ou o congresso nacional, e o petismo de esquerda luta contra a cada vez mais humilhante aliança com o PMDB de Eduardo Cunha e outros partidos de direita, trazer a tona o assunto das eleições presidenciais de 2018 pode parecer um exercício inútil de futurologia, mas a pré-candidatura de Lula  pode ter efeitos importantes sobre o atual momento político. Isso porque, ao lançar Lula como pré-candidato a presidência da republica, as correntes majoritárias do PT, praticamente inibem a possibilidade de surgir qualquer outro nome, ainda que no campo das especulações, que pudesse concorrer a sucessão de Dilma, pelo PT. Isso porque a liderança de Lula dentro do partido é hoje, inquestionável, e apesar dos pesares, justa. Aparentemente não existe qualquer dirigente ou liderança petista hoje com a determinação de concorrer a presidência e inclusive, enfrentar uma disputa interna com Lula, como fez Suplicy em 2002.
                A falta de alternativa a candidatura de Lula, afeta em ultima instância, a relação do PT com o governo. É bem verdade, que mais 90% dos dirigentes e lideranças petistas, de uma forma ou de outra, em algum momento, apoiaram e/ou apoiam a politica de colaboração de classes que levou a atual crise pela qual passa o partido, entretanto, na boca de algumas dessas lideranças como Paulo Paim, Tarso Genro, Vicentinho ou Lindberg Farias criticas ao governo e a direção nacional do PT soariam muito menos estranhas do que vindas de Lula.  Como temos acompanhados pelos noticiários, em suas declarações e aparições públicas, ou em declarações atribuídas a ele pela imprensa, o ex-presidente tem feito críticas ao governo e a direção nacional do PT, porém essas criticas, além de dúbias, soam no mínimo esquizofrênicas já que é publico e notório que Lula é o fiador politico não só da eleição e reeleição de Dilma, como da politica de colaboração de classes do PT, por ele pavimentada desde a aliança com o empresário José Alencar em 2002.
                Em outras palavras, se Lula, tão identificado com o atual governo precisa tentar se diferenciar a esquerda para manter-se como um jogador forte no tabuleiro de xadrez das próximas eleições presidenciais, outro pré-candidato petista teria que fazer esse mesmo movimento só que de forma muito mais acentuada, o que poderia abrir um caminho alternativo para o PT ao caminho da total submissão ao governo Dilma e aos partidos “aliados”, que é o rumo em que o partido se encontra hoje, e que foi reforçado no seu ultimo congresso.
O contrário desse cenário alternativo, que é a manutenção do rumo atual, pode levar a um caminho ainda mais nebuloso. A cada mês que passa fica cada vez mais provado que a cada grito dos industriais, do agronegócio, dos bancos ou do imperialismo, o governo recua de quaisquer características “populares” e engendra novos ataques aos trabalhadores. E a cada grito dos “aliados” como o PMDB, da grande imprensa e do judiciário, a casta dirigente do PT se intimida mais e mais. A persistir ou se agravar o cenário econômico, e a persistir ou se agravar o cenário politico ( principalmente diante dos resultados das eleições municipais de 2016) pode ser que cheguemos a 2018 com uma situação onde, seja por motivos de saúde, seja para não repetir o caminho de Walesa na Polônia, que de líder popular e presidente do pais, terminou derrotado em sua tentativa de retomar a presidência, com menos 1% dos votos, Lula decida não se candidatar novamente, e a depender do momento em que essa desistência ocorra, sem tempo hábil para se construir outra candidatura, as correntes majoritárias do partido se sintam “sem escolha” a não ser fazer aprovar um apoio do partido a um candidato Peemedebista ao Palácio do `Planalto, talvez Eduardo Cunha ?

Mas que dirigente ou liderança teria a coragem de lançar uma pré-candidatura petista a presidência, independente das vontades do Palácio do Planalto ? É claro que seria uma pré-candidatura combatida e acusada de divisionismo dentro do partido, é claro que a imprensa iria explorar isso ao máximo. Mas a história do movimentos do trabalhadores já demonstrou que as vezes, não há grito mais contundente e consciente de unidade, do que uma boa dissidência. A fundação do Partido dos Trabalhadores, foi um exemplo disso. 

Assine o abaixo-assinado pelo rompimento da aliança do PT com o PMDB: http://migre.me/qaEhi

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