*Por Coletivo Marxista do PT
Segue o processo de polarização entre as classes sociais no
Brasil. Os ataques aos direitos dos trabalhadores, vindos do congresso nacional
ou do executivo, continuam a oxigenar e assanhar os setores mais reacionários
da classe dominante, que acabam por arrastar os setores da classe média,
confusa pela politica de colaboração de classes levada a cabo pela direção do
PT e do governo federal.
Em meio
a esse processo, surge uma pesquisa eleitoral projetando o possível cenário das
eleições de 2018, onde, segundo o Datafolha, instituto responsável pela
pesquisa, o tucano Aécio Neves bateria o ex-presidente Lula por uma diferença
de 10 pontos percentuais. A pesquisa antecipada não é coisa nova, assim como
aconteceu em 2002, 2006 e 2010, a oposição de direita, e por extensão, a grande
imprensa, não digeriu bem a derrota para o PT nas eleições 2014, o resultado
dessa pesquisa, apesar de impactante, também não chega a ser de todo
surpreendente, diante do atual cenário político e econômico.
Lançada
por Alexandre Padilha, em um evento de campanha do segundo turno das eleições
presidenciais de 2014, a pré-candidatura de Lula a presidente, acabou sendo
endossada na época pelo presidente do partido Ruy Falcão, com o mote de que “Lula
2018” dependia da vitória de “Dilma 2014” o que acabou ajudando a impulsionar a
campanha da atual presidente. As seguidas aparições e declarações públicas de
Lula em 2015, ajudaram a preparar o cenário para essa pesquisa que, a despeito
de possíveis distorções, mostrou que ao contrário do que muitos petistas
acreditavam, Lula não é imbatível nas urnas, inclusive como demonstram alguns
exemplos históricos como o de Lech Wałęsa na Polônia. Entretanto, independente
das projeções atuais não há duvida de que Lula, seria um candidato bastante
competitivo nas próximas eleições, mas paradoxalmente esse pode ser justamente
o maior problema para o futuro do PT.
No
atual momento, onde os movimentos sociais e todos aqueles que se reivindicam de
esquerda, lutam contra o ajuste fiscal e os ataques aos direitos dos
trabalhadores e da juventude, promovidos pelo governo e/ou o congresso
nacional, e o petismo de esquerda luta contra a cada vez mais humilhante
aliança com o PMDB de Eduardo Cunha e outros partidos de direita, trazer a tona
o assunto das eleições presidenciais de 2018 pode parecer um exercício inútil de
futurologia, mas a pré-candidatura de Lula pode ter efeitos importantes sobre o atual
momento político. Isso porque, ao lançar Lula como pré-candidato a presidência
da republica, as correntes majoritárias do PT, praticamente inibem a
possibilidade de surgir qualquer outro nome, ainda que no campo das
especulações, que pudesse concorrer a sucessão de Dilma, pelo PT. Isso porque a
liderança de Lula dentro do partido é hoje, inquestionável, e apesar dos
pesares, justa. Aparentemente não existe qualquer dirigente ou liderança petista
hoje com a determinação de concorrer a presidência e inclusive, enfrentar uma
disputa interna com Lula, como fez Suplicy em 2002.
A falta
de alternativa a candidatura de Lula, afeta em ultima instância, a relação do
PT com o governo. É bem verdade, que mais 90% dos dirigentes e lideranças
petistas, de uma forma ou de outra, em algum momento, apoiaram e/ou apoiam a
politica de colaboração de classes que levou a atual crise pela qual passa o
partido, entretanto, na boca de algumas dessas lideranças como Paulo Paim,
Tarso Genro, Vicentinho ou Lindberg Farias criticas ao governo e a direção nacional do PT soariam muito menos
estranhas do que vindas de Lula. Como temos acompanhados pelos noticiários, em
suas declarações e aparições públicas, ou em declarações atribuídas a ele pela
imprensa, o ex-presidente tem feito críticas ao governo e a direção nacional do
PT, porém essas criticas, além de dúbias, soam no mínimo esquizofrênicas já que
é publico e notório que Lula é o fiador politico não só da eleição e reeleição
de Dilma, como da politica de colaboração de classes do PT, por ele pavimentada
desde a aliança com o empresário José Alencar em 2002.
Em
outras palavras, se Lula, tão identificado com o atual governo precisa tentar
se diferenciar a esquerda para manter-se como um jogador forte no tabuleiro de
xadrez das próximas eleições presidenciais, outro pré-candidato petista teria
que fazer esse mesmo movimento só que de forma muito mais acentuada, o que poderia
abrir um caminho alternativo para o PT ao caminho da total submissão ao governo
Dilma e aos partidos “aliados”, que é o rumo em que o partido se encontra hoje,
e que foi reforçado no seu ultimo congresso.
O contrário desse cenário
alternativo, que é a manutenção do rumo atual, pode levar a um caminho ainda mais
nebuloso. A cada mês que passa fica cada vez mais provado que a cada grito dos
industriais, do agronegócio, dos bancos ou do imperialismo, o governo recua de
quaisquer características “populares” e engendra novos ataques aos
trabalhadores. E a cada grito dos “aliados” como o PMDB, da grande imprensa e do
judiciário, a casta dirigente do PT se intimida mais e mais. A persistir ou se
agravar o cenário econômico, e a persistir ou se agravar o cenário politico (
principalmente diante dos resultados das eleições municipais de 2016) pode ser
que cheguemos a 2018 com uma situação onde, seja por motivos de saúde, seja
para não repetir o caminho de Walesa na Polônia, que de líder popular e
presidente do pais, terminou derrotado em sua tentativa de retomar a presidência,
com menos 1% dos votos, Lula decida não se candidatar novamente, e a depender
do momento em que essa desistência ocorra, sem tempo hábil para se construir
outra candidatura, as correntes majoritárias do partido se sintam “sem escolha”
a não ser fazer aprovar um apoio do partido a um candidato Peemedebista ao Palácio
do `Planalto, talvez Eduardo Cunha ?
Mas que dirigente ou liderança
teria a coragem de lançar uma pré-candidatura petista a presidência, independente
das vontades do Palácio do Planalto ? É claro que seria uma pré-candidatura combatida
e acusada de divisionismo dentro do partido, é claro que a imprensa iria
explorar isso ao máximo. Mas a história do movimentos do trabalhadores já demonstrou
que as vezes, não há grito mais contundente e consciente de unidade, do que uma
boa dissidência. A fundação do Partido dos Trabalhadores, foi um exemplo disso.
Assine o abaixo-assinado pelo rompimento da aliança do PT com o PMDB: http://migre.me/qaEhi

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