* Por Coletivo Marxista do PT
No ultimo dia 15 de julho o parlamento grego aprovou o plano de austeridade da Troika (União Européia, Banco Central Europeu e FMI) em substituição ao acordo anterior que foi rejeitado pela maioria do povo grego em referendo. Entretanto, o novo acordo que é considerado tão ruim quanto o anterior, além da oposição popular através de greves e manifestações contou também com a oposição de quase um terço dos deputados do Siryza, o partido do primeiro ministro Tsipras, que votaram contrários a proposta ou se abstiveram, incluindo ex-membros do governo. E no fim o governo só aprovou o memorando graças aos votos do seu aliado de direita o partido Gregos Independentes e também aos oposicionistas Nova Democracia de direita e PASOK de centro-esquerda.
Fazendo uma analogia um tanto imprecisa, seria como se no Brasil, Dilma tivesse oposição de parte da bancada do PT em algum projeto e dependesse dos votos do PMDB, PSDB e PSB para aprova-lo. E essa ação de parte da bancada não foi isolada dentro do partido, dias antes, 110 dos 201 membros da direção nacional do Syriza assinaram um documento contrários ao novo memorando, além da manifestações contrarias de diversos setores do partido, incluindo a Juventude que pede um congresso extraordinário da legenda para rediscutir os rumos do governo. Essa revolta interna, totalmente legitima diante das traições de Tsipras poderia servir de exemplo para alguns setores do PT, principalmente das correntes que compõe a chamada esquerda petista como Articulação de Esquerda, Militância Socialista e O Trabalho.
Em suas analises sobre o resultado do 5º Congresso do PT realizado entre 11 e 13 de junho em Salvador, as três correntes expuseram críticas. A Articulação de Esquerda destacou o profundo sentimento de frustração causado pela resolução final aprovada no congresso, que destoa totalmente dos anseios dos movimentos sociais e das bases do partido que esperavam uma guinada a esquerda do partido diante da guinada a direita do governo, porém o que se viu foi, mais uma vez, a submissão total da corrente majoritária aos ditames do planalto. Já a Militância Socialista destacou o processo de sabotagem feito pela corrente majoritária ao congresso, desde o esvaziamento das etapas municipais, estaduais e livres até as manobras no próprio congresso onde praticamente todas as questões que motivaram a convocação do congresso em primeiro lugar acabaram remetidas de volta ao diretório nacional. E ao fim e ao cabo, além dos problemas políticos da resolução final, internamente tudo ficou como estava ou piorou. Já a corrente O Trabalho, preferiu ser mais otimista, destacando os manifestos assinados por parte da bancada federal, e outro assinado pelos sindicalistas petistas da direção nacional da CUT pedindo por mudanças, além das votações apertadas em questões sobre a politica econômica e politica de alianças, como demonstração de que a crise politica e econômica começa a gerar fissuras dentro da direção do partido, como resultado da pressão das bases
Agora o que os dirigentes dessas correntes precisam explicar a seus militantes é por que não sair da intenção e partir para ação ? Por que não um Congresso da Esquerda do PT?
Diante da constatada deslegitimidade da direção nacional do PT diante da sua base social a dissidência é não só uma opção como um dever dos setores politicamente mais avançados do partido. E longe de ser um enfraquecimento da unidade como podem bradar alguns, seria na verdade um chamado de unidade para a luta. Porém para poder organizar algo dessa envergadura é preciso independência. Independência politica dos cargos comissionados nos governos municipais, estaduais e do governo federal, e também de alguns aparelhos( sindicatos e etc...) e principalmente, independência da estrutura financeira do partido, já que um Congresso como esse só teria legitimidade de fosse financiado por militantes petistas e de movimentos sociais comprometidos politicamente com a sua realização.
Um Congresso da Esquerda Petista poderia se posicionar contra todos os ataques aos trabalhadores vindos do governo federal e/ou do congresso nacional, contra a aliança com o PMDB de Eduardo Cunha e demais partidos de direita, e propor a constituição de uma Frente de Esquerda capaz de retomar a ofensiva por ampliação de direitos para a classe trabalhadora. Do Congresso poderia ainda emergir um polo de oposição petista a guinada a direta do governo Dilma, uma verdadeira direção paralela do partido, orientando não só boa parte da militância petista como talvez, parte de sua bancada na câmara e no senado, como aconteceu com o Syriza na Grécia.
Assine o abaixo-assinado pelo rompimento da aliança do PT com o PMDB: http://migre.me/qaEhi
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